Como me manter sã

Tudo começou com a morte do meu pai.

Aposto que você pensou: de novo essa história?

Sim! De novo!

Engraçado como isso tenha me afetado tanto. Afinal eu quase não tive uma vida com meu pai! Ele saiu de casa quando eu tinha 5 anos apenas.

Passava os finais de semana com ele enquanto criança. Mas aí eu cresci e por falta de interesse talvez de ambas as partes, perdemos um pouco o contato.

Eu não culpo meu pai, porque agora que tenho filhos também, eu já sei que o amor que eu sempre questionei que ele tivesse por mim, na verdade era iquestionável. E hoje eu sei o quanto ele me amou!!!

Mas enfim, escrevi tudo isso, apenas para dizer que a morte do meu pai, meu herói, meu amigo, mexeu de uma forma tão inesperada comigo.

Veja bem, vou repetir a história:

Meu pai saiu de casa quando eu tinha apenas 5 anos, passei a infância visitando-o aos finais de semana. Aos 15 anos eu ja não o via muito. Cresci, morei fora, e desde então o visitava de 1 a 3 vezes por ano apenas.

Como a morte dele me afetou tanto se teoricamente eu já estava mais do que acostumada a viver sem ele?

Simples: a culpa! A falta do que eu não tive. A saudade do que não vivi.

E foi culpa dele? Claro que não!

Como pais, queremos ver nossos filhos felizes. E meu pai lá do cantinho dele, sei que olhava por mim, quietinho. Nao queria interferir. Talvez, ele achasse que não tivesse esse direito.

Por fim, o que quero dizer, é que sinto culpa e muita culpa.

Sinto culpa por não ter passado mais tempo com meu pai, e culpa por não ter dado a ele e nem aos meus filhos, a oportunidade de se conhecerem. E a culpa que eu carrego é tao grande que eu precisei encontrar uma válvula de escape. Para não surtar…

E essa válvula está aqui nesse blog, escrevendo. Está nos vídeos que eu faço, está nas historinhas que invento com meus filhos antes de dormir.

Essa válvula está no meu lado criativo que eu já sabia que tinha, porém que não sabia que me faria tão bem um dia.

E muito menos que me ajudaria a me manter sã.

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Autor: Juliana Palma

Pedagoga e Neuroeducadora. Educadora Parental criadora dos métodos Disciplinar Sem Drama e Parentalidade Inclusiva.

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